
Empresas mudam estratégia de serviços
Gazeta Mercantil
De cada quatro ligações, três são para acionar a assistência 24 horas de carro,
casa e de saúde. Muito requisitadas mas totalmente anônimas,as empresas de
assistência 24 horas deixarão de ser ilustres desconhecidas até o final deste
semestre. Em razão de uma nova regulamentação da Superintendência de Seguros
Privados (Susep), a circular 310, as seguradoras terão de discriminar na
apólice o nome da empresa contratada e também o custo do serviço.
"Mas a responsabilidade pelo atendimento prestado ao consumidor continua sendo
da seguradora", afirmou Renê Garcia, titular da Susep. A intenção do órgão
regulador é comprometer mais as seguradoras com a qualidade dos serviços de
assistência que estão determinados nas apólices de seguros e cujo atendimento é
prestado por empresas focadas nesse tipo de serviço. O setor de assistência de
24 horas faturou R$ 650 milhões em 2005, segundo dados estimados de executivos
do setor, com oito empresas atuantes. O atendimento a automóveis é o
carro-chefe do serviço de assistência, com algo próximo a 80% do atendimento,
seguido de assistência médica e da assistência residencial. As seguradoras são
as principais clientes dessas empresas, com 50% do faturamento, bem como
cartões de crédito e montadoras.
Comenta-se que, de cada quatro ligações dos segurados para a companhia de
seguros, três são para solicitar os serviços de assistência e um para informar
acidente. Ou seja, o produto acessório à apólice, cujo preço é inferior a R$
200 por ano, se tornou mais importante do que o próprio seguro para o
consumidor, que faz questão de contratar os serviços de pane elétrica ou
mecânica, guinchos e chaveiro na apólice de carro ou mesmo um eletricista para
consertar o chuveiro queimado ou trocar a lâmpada.
Desde que o serviço foi criado no Brasil, há 20 anos, o crescimento tem sido na
casa dos dois dígitos. Nesse período, a concorrência foi tão acirrada que os
preços despencaram e o serviço prestado ficou comprometido.
Esse cenário fez algumas seguradoras a repensarem suas estratégias, uma vez que
é no atendimento que o segurado vai conhecer realmente a companhia de seguros
que contratou. Do outro lado, as empresas de assistência também podem se
transformar em seguradoras, segundo a legislação, e passar a vender o serviço
de assistência como seguro.
Em recente entrevista, o vice-presidente da Liberty, Carlos Magnarelli, disse
que a empresa avaliava se iria internalizar o serviço de assistência ao
finalizar o projeto de call center, que passou a ser feito pela própria
companhia.
"Não podemos perder a oportunidade de falar com o nosso cliente", disse. A
Mapfre é outra companhia que trouxe recentemente o serviço de assistência para
dentro de casa. Além da Mapfre e da Liberty, Porto Seguro e SulAmérica têm
empresas de assistência próprias.
Com tamanha competição, as empresas de assistência iniciaram um verdadeiro road
show nas seguradoras para mostrarem seus números e um novo perfil de serviços.
Segundo elas, o índice de satisfação dos clientes supera 95%. "A nossa está em
97%", disse Dimas de Camargo Filho, presidente USS Serviços de Assistência, a
maior empresa de assistência do país, com faturamento de R$ 195 milhões. Ela
faz 1 milhão de assistências por ano para uma carteira de 11,8 milhões de
usuários em todo Brasil.
A Europ Assistance faz, em média, 270 mil
atendimentos por ano, com faturamento aproximado de R$ 70 milhões, disse o
diretor responsável pela empresa, Nuno David. A meta da Europ, controlada pelo
grupo italiano Generali e Icatu, é retomar a liderança que já foi dela.
Investiu 2,5 milhões de euros para montar uma central de atendimento com 300
posições em São Paulo, prevista para operar com capacidade total em 2007, "A
nossa plataforma não acabará com a do Rio, Funcionarão simultaneamente", disse.
A empresa também está contratando diretores para a área operacional, comercial
e marketing, e também administrativo financeira.
A USS criou um departamento para lançar diversos produtos em parceria com as
seguradoras. "A sinistralidade de automóvel é de 12%. Ou seja, a assistência
fala com 12% da base segurada no momento de estresse. Por meio da nova unidade
de produtos, a seguradora pode ampliar o contato com o cliente para 45% da base
num momento diferente", disse. Kicker: Mapfre e Liberty decidiram trazer para
dentro de casa o serviço, modelo adotado pela Porto Seguro e SulAmérica.